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Diabetes em crianças: de pequenino se vive com diabetes

A diabetes tipo 1 manifesta-se, geralmente, na infância, mas as crianças diabéticas conseguem ter uma vida bastante normal. Basta fazerem a terapêutica adequada e uma alimentação equilibrada.

A diabetes tipo 1, também denominada insulinodependente, «ocorre essencialmente na criança e resulta da destruição das células beta do pâncreas por um processo imunológico, ou seja, o organismo cria anticorpos contra as suas próprias células beta, diminuindo a produção de insulina», explica Ana Cristina Monteiro, pediatra no Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas.

 

Sabe-se como, como diz a nossa entrevistada, que a doença «pode manifestar-se em qualquer idade, desde os poucos meses de vida». O que ainda não é claro é a razão pela qual surgem estes anticorpos. Devido ao aumento de casos de obesidade infantil, constata-se um aumento de casos de diabetes tipo 2, não insulinodependente, em idade pediátrica, geralmente, como diz Ana Cristina Monteiro, mais frequente nos adultos e que se caracteriza sobretudo pela resistência das células à insulina que o pâncreas produz e não tanto pela escassez primária de insulina.

 

E estará a genética associada à diabetes infantil? «Existe uma predisposição genética familiar mais marcada na de tipo 2, mas muito frequentemente não existe caso nenhum da doença na família chegada (pais, irmãos ou avós)», responde a pediatra.

Diabetes em crianças

Sintomas e tratamento

 

Os sintomas mais frequentes são a polidipsia (beber muita água), poliúria (urinar com muita frequência, inclusivamente de noite quando já não o faziam), polifagia (comer mais) e emagrecimento. «Se o quadro clínico avançar, podem ter vómitos, dor abdominal e dificuldades respiratórias. Os mais pequenos podem ter um quadro mais impreciso, muitas vezes só com vómitos e desidratação», refere Ana Cristina Monteiro. Já o diagnóstico é feito através de uma avaliação da glicemia (valor de glicose ou açúcar no sangue) – um valor maior do que 126 mg/dL, em jejum, ou superior a 200 mg/dL, sem jejum, é indicador da doença.

 

No que diz respeito ao tratamento da diabetes tipo 1, neste grupo etário, é sempre com insulina, administrada várias vezes ao dia. Segundo Ana Cristina Monteiro, «há vários tipos de insulina que se utilizam consoante as necessidades de cada criança. Genericamente, há insulinas de ação rápida e outras de ação lenta. Importa também referir que o desenvolvimento da investigação científica tem permitido fabricar insulinas de qualidade cada vez maior».

 

A pediatra garante que «a terapêutica varia consoante as circunstâncias de vida da criança. Por exemplo, se está doente ou se vai fazer desporto, pode ser necessário adequar as doses e o tipo de insulina. Se há terapêutica minuciosa, a da diabetes infantil é uma delas, pois a qualidade de vida presente e futura da criança depende da otimização da terapêutica e, claro, da dieta». No caso da diabetes tipo 2, «o tratamento é feito com antidiabéticos orais e mudanças nos hábitos alimentares», acrescenta Ana Cristina Monteiro.

 

O papel da alimentação

 

Um aspeto fundamental na vida destas crianças é a nutrição. «Sendo a diabetes uma doença em que há falta de insulina, a ingestão de hidratos de carbono tem de ser diminuída e controlada. A insulina que se administra diariamente via subcutânea, sempre que a criança come, não substitui na perfeição a função danificada do pâncreas», explica a pediatra. Convém lembrar que «os hidratos de carbono não são apenas os açúcares acrescentados. São também as massas, o arroz, a fruta e o pão. A sua alimentação deve ser muito equilibrada e o excesso de gorduras também tem de ser evitado», sublinha a pediatra.

 

Como não é fácil que uma criança de 2 ou 4 anos perceba as suas restrições, Ana Cristina Monteiro revela que «o sucesso da terapêutica passa muito pela educação da família. Se é fundamental a adesão a uma dieta com restrição de açúcares, também é essencial explicar que as restrições não condicionam a vida normal. Sobretudo quando hoje em dia é possível fazer bolos e outros alimentos apetecíveis sem açúcar».

 

Vida escolar

 

Se a família é fundamental, a comunidade escolar não lhe fica atrás. É importante que todos os professores sejam avisados, tal como os colegas (porque estão com a criança no recreio) e auxiliares que possam estar em contacto mais direto. «Dependendo das idades, até o pessoal do refeitório deve saber para ajudar na preparação da refeição», esclarece a pediatra. Os aspetos a ter em consideração, realça Ana Cristina Monteiro, são que o aluno possa ter de fazer uma avaliação da glicemia na aula, ter de ir à casa de banho ou ter de comer na aula em caso de hipoglicemia. Além disso, «a comunidade escolar deve saber tratar uma hipoglicemia, se a criança precisar de ajuda e deve ter as noções básicas sobre a doença, pois, nos casos dos mais pequenos, são os adultos da escola que administram a insulina».

 

Na diabetes em crianças, estas podem fazer todas as atividades, até porque em âmbito escolar serão supervisionadas por um adulto, mas, como realça a pediatra, «devem manter refeições saudáveis e a administração de insulina de acordo com o indicado pelo médico; ter atenção nas aulas de Educação Física para que os valores de glicemia não baixem demasiado – hipoglicemia». Esta pode ter muitos sintomas, entre eles, sensação de fome, tonturas, tremor, palidez, sudação intensa ou visão turva.

 

«O tratamento da diabetes ajusta-se aos horários escolares para que a criança/adolescente tenha uma vida parecida com a dos outros colegas», sublinha a nossa entrevistada. Mesmo no que diz respeito ao horário das refeições: «Com os esquemas atuais de administração de insulina, podem comer nos horários dos colegas e aqueles não têm de ser iguais todos os dias, nem iguais aos dos fins de semana. Se o intervalo entre refeições for muito grande, poderão eventualmente ter de fazer um pequeno lanche. Tudo isso é falado e ajustado nas consultas», esclarece Ana Cristina Monteiro.

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Diabetes em crianças: de pequenino se vive com diabetes

Exercício físico

 

Sendo uma chave para uma vida saudável, o exercício físico também pode ajudar a baixar os valores da glicemia. No entanto, a sua prática exige um equilíbrio muito rigoroso entre a intensidade do exercício, a sua duração, a quantidade de insulina administrada, antes e depois da prática, e a alimentação.

 

  • Antes das aulas, devem avaliar a glicemia e não podem iniciar a aula se tiverem uma hipoglicemia ou um valor de glicemia muito elevado (>300 mg/dL);

     

  • Se durar muito tempo, podem ter de avaliar a glicemia a meio da aula ou sempre que tiverem sintomas de hipoglicemia.

     

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Referências
  • Revista Saber Viver

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